segunda-feira, 1 de março de 2010

Benjamin Franklin, Lulla e o abacaxi

Ben Franklin disse (ou se não disse devia ter dito): "Um povo que troca sua liberdade pelo bem estar não merece nem uma coisa nem outra".
O governo Lulla distribuiu esmola para todos. Sem dúvida tirou uma parte da população da linha de miséria extrema. Por pouco tempo, pois não existe um plano que as tire de lá e as esmolas não serão eternas, mas que tirou, tirou. Palmas p'ra ele que ele merece. Lulla voou até o Haiti, voou até Cuba, voou até o Chile. Voou para três locais devastados - um deles não por causas naturais - e deu seu apoio à população local. No caso de Cuba foi como se ele estivesse abraçando o terremoto de agasalho de ginástica, e frequentemente faz o mesmo com seu amigo Chavez, e com seu novo amigo Ahmadinejad. Também é amigo de Obama, da Rainha da Inglaterra, o homem é o verdadeiro amigo. Não lembro dele ter aparecido em todos os locais do Brasil que sofreram catástrofes, mas no exterior, onde tem escombro, tem Lulla lá.
O que não fica claro é que com as leis que ele tenta a todo custo passar teremos aqui uma venezuelação da imprensa. Teremos, disfarçada, a censura. Se vier Dilma, habituada ao arbítrio e à disciplina ideológica cega, pior ainda. Lulla não diz uma palavra a favor da liberdade. Lulla é amigo de tiranos, de demagogos, de fanfarrões que pensamos soterrados junto com o apelido de República de Bananas. Mas as Bananas voltaram, e nos assombram. Sai a figura do general de pijama e entra a dos Bananas de pijama: golpetes de estado perpetuando no poder fronteiriços, idiotas, ideologias falsificadas e distorcidas. Não demora e já já tem gente querendo os militares de volta. E vamos ficar eternamente brincando de cara e coroa, as duas faces da mesmíssima moeda que só nos traz arbítrio, ignorância, terror em diversos níveis. E no pequeno interlúdio entre essas opções, temos o quê? Uma falsa democracia. A Constituição diz: Todo poder emana do povo. Emana? Ou emana dos que mantém o povo ignorante, massa mais fácil de manobra? Alguém minimamente esclarecido vota nos Arruda, nos Roriz, nesse pessoal que está por aí há anos? Não, ninguém vota neles, mas eles são eleitos, perpetuamente. E se você espanta um vem logo outro em seu lugar, são moscas na grande sopa brasileira. Isso é democracia? estão tentando mudar mais uma vez o sistema de voto. Hoje votamos num e elegemos outro. Gente com 100 votos entra, gente com 100.000 não. Temos candidatos à presidência honestos: temos Marina Silva, por exemplo. Ela será eleita? Não. É impossível. Nas câmaras talvez tenhamos pessoas honestas. Mas se são honestas, são bobas: jogam com dados viciados. Vemos senadores de estados pequenos, pessoas com poucos votos, que mantém os outros sob mordaça, sob constante ameaça. E mandam, cada vez mais. Coronéis na imensa planície acarpetada. E não vemos Lulla dizer uma única palavra a favor da liberdade. Não o vemos defender os povos das ditaduras, objetivas e disfarçadas. O Brasil continua o GBO de sempre. Sigla da minha infância: Grande, Bobo e Otário.Obedecemos à Inglaterra e dizimamos o Paraguai; obedecemos aos EUA e entramos na guerra, mais tarde caímos na ditadura pelo mesmo motivo. Agora obedecemos a republiquetas de fancaria, tudo que seu mestre mandar fazeremos todos. Ahmadinejad nega o holocausto, e Lulla o abraça. Chavez fecha tvs, e Lulla o abraça. Fidel mata dissidentes, e Lulla o abraça. Morales aumenta o preço de nosso gás, e Lulla o abraça. Obama, num momento de extrema infelicidade, diz que Lulla é o cara. Nada, são várias.
Precisamos de uma revolução neste país. Sem armas, sem ditadores de plantão, sem violência, mas firmes. A eleger uma Dilma ou mesmo um Serra - que certamente é mais limpinho, mas longe de ser a solução para este país - ou votemos em Marina - que, confesso, não sei se tem força suficiente para espantar os urubus que certamente virão para pegar os despojos do poder - ou não votemos em ninguém. Vamos expulsar, não pela força, mas pelo desprezo, pela resistência passiva, essas aves de mau agouro que pousaram nas câmaras de todo o Brasil. Não deixemos que esses indivíduos nos tirem, mais uma vez, nossa liberdade de dizer o que pensamos, de discordar deles. Eles não sabem ouvir um não. Millôr, sempre ele, disse:"Liberdade: podem no-la tirar, mas não podem no-la dar".
Um texto que começa com Benjamin Franklin e termina com Millôr não pode ser de todo ruim. O embrulho perdoa o conteúdo.
Um leitor mais atento perguntará: e o abacaxi do título? Está pendurado no pescoço de nosso presidente.