terça-feira, 5 de outubro de 2010

Eleições e etc

Democracia, s.f.
Governo do povo.
Regime político que se funda na soberania popular, na liberdade eleitoral, na divisão de poderes e no controle da autoridade.
Segundo um dicionário on-line, democracia é isso aí. "Soberania popular". O povo escolhe seus representantes. O curioso é que, por algum motivo, apesar de pouco se falar nisso, dos 516 deputados apenas 35 tiveram votos suficientes para se eleger. TODOS os outros entraram via quociente eleitoral. Titirica, como antes Enéas e Clodovil, arrastou atrás de si outros colegas os quais o povo sequer desconfia quem são e por que estão ali. Não sabem que elegeram esses mostrengos. É da lei, e ninguém reclama. Afinal, temos que ter partidos fortes. Não há democracia sem eles, nos repetem a toda hora. Será verdade? Ou repete-se a bobagem indefinidamente até que vire verdade? Ora, reclamar de um político é fácil, ele tem cara, endereço, nome. E de um partido? Quem é o partido? O cacique que determina tudo se esconde atrás do partido, coloca nesta entidade abstrata a culpa e a responsabilidade de tudo. E ficamos sem ter a quem nos queixar.
Ao Supremo, talvez? Mas aqueles senhores estão preocupados com vírgulas em textos da câmara e se esquecem que para bom entendedor pingo é letra. Mal entendedores, discutem quantos anjos podem dançar na cabeça de uma agulha enquanto os poderosos debocham desta falsa democracia em que vivemos, e se auto intitulando "excelências" esquecem o motivo precípuo de sua própria existência: o povo, em nome de quem todo o poder deve ser exercido. O povo quer comida, diversão e arte, mas acima de tudo quer respeito, embora nem sempre saiba disso: o povo é ignorante, na acepção literal da palavra ("aquele que ignora"), e sofre há tanto tempo que acha que seu direito é um favor. Acaba aceitando bovinamente o caminho do matadouro.
Mas tem mais. Eleições mostram muita coisa, nem sempre boitas. Hea algum tempo, o deputado Gabeira, de quem sempre fui admirador, foi flagrado usando indevidamente passagens aéreas da câmara. Fez um mea-culpa, ok, ninguém é perfeito, sua excelência tem crédito, mas agora se alia a Cesar Maia na tentativa de se eleger. Ora, Cesar Maia é o oposto de tudo que quem vota em Gabeira acredita. Parece que o uso da passagem indevida mudou a cabeça de nosso deputado. De pessoa diferente se mostra igualzinho a todos os outros, nos tirando uma de nossas últimas esperanças. E que não se venha falar em Marina como esperança de nada. Apesar de uma história de vida sensacional, a querida ambientalista serviu, de forma muito pouco eficaz, este mesmo governo que ora combate. O voto nela foi claramente um voto anti-Dilma, anti mesmice, anti-Serra, também, mas em menor medida. Quem não aguenta mais a desfaçatez deste governo, e que teme as ideias antidemocráticas (especialmente controle da imprensa) que estão sempre à espreita, que não aguenta o deboche de ver Collor e Sarney, por exemplo, a apoiando, votou nela como votaria em qualquer um minimamente palpável que estivesse ali próximo nas pesquisas. Foi ela, que, como já disse, tem uma biografia impressionante, como poderia ser Gabeira. Ou Tiririca.
Ah, por fim, para nos desencantar de vez, a seleção de vôlei nos decepciona entregando um jogo. Primeiro Massa, se comportando como um coadjuvante subserviente, agora Bernardinho, chutando todo e qualquer conceito de esportividade e entregando um jogo. Não existe esporte, não existe dignidade, não existe honra.
Vivemos numa civilização de resultados. Não gosto, não sou feliz.